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Locked-in Syndrome (Síndrome do
Encarceramento)
A síndrome do encarceramento também é conhecida como síndrome pontina ventral, porque as lesões responsáveis, geralmente de natureza vascular, atinge a porção ventral da ponte, deixando preservado o tegmento pontino e os segmentos mais altos (rostrais ou craniais) do tronco cerebral ou tronco encefálico. Também é conhecida como estado de deeferentização, porque as fibras motoras que provêm da córtex cerebral (eferentes motoras) não conseguem chegar ao destino, dado que estão interrompidas ao nível da ponte. Outras patologias podem causar o estado de encarceramento, como traumatismos craniencefálicos, meningite e esclerose lateral amiotrófica. Jean-Dominique Bauby, ex-editor da revista Elle, sofreu um acidente vascular encefálico grave em 1995 que o deixou tetraplégico e sem conseguir falar. Em outras palavras, ficou no estado de encarceramento, no qual a consciência é preservada e a comunicação faz-se através de movimentos oculares ou palpebrais. Usando apenas a pálpebra esquerda, Jean-Dominique foi capaz de "ditar' um livro inteiro, letra por letra,no qual narra suas experiências com a síndrome do encarceramento. O trecho abaixo, com tradução minha, retrata seu sofrimento e suas angústias na prisão do seu próprio corpo.
'I am fading away, slowly, but surely.
Like the sailor who watches his home shore gradually disappear, I watch my
past recede. My own life still burns within me, but more of it is reduced to
the ashes of memory. Since taking up life in my cocoon, I have made two brief
trips to the world of Paris medicine to hear the verdict pronounced on me from
medical heights. I shed a few tears as we passed the corner cafe where I used
to drop in for a bite. I can weep discreetly, yet the professionals think my
eye is watering.'
"Estou desaparecendo lentamente porém de maneira definida. Como o marinheiro que vê o litoral de sua terra natal desaparecer, vejo meu passado recuar. A chama de minha vida ainda arde, mas a maior parte está reduzida às cinzas da memória. A partir do dia em que assumi minha vida neste casulo, fiz duas breves viagens á medicina parisiense,para ouvir o veredicto dos luminares de medicina. Chorei um pouco quando passávamos pelo café da esquina onde costumava parar para comer algo. Choro discretamente, mas os profissionais referem-se a esse fato como "lacrimejamento". The Diving Bell and the Butterfly
Um outro paciente, Elias Musiris, um cidadão peruano
rico, possuidor de cassinos, também era totalmente encarcerado em si próprio,
sem poder comunicar-se com o mundo exterior, até que um neurocientista alemão
de nome Niels Birbaumer, desenvolveu um sistema de comunicação baseado na
interface cérebro-computador. Anteriormente testado em pacientes epilépticos
para que estes pudessem evitar a ocorrência de ataques (crises), o sistema
consistia em o paciente controlar a posição de um ponto luminoso no monitor do
computador mediante a modificação de seu sinal de EEG (eletrencefalograma) que
lhe era mostrado na tela. O paciente tentava manter o ponto sempre em uma
posição, mudando seu pensamento para que, com a alteração nas ondas do EEG, o
objetivo fosse alcançado. Desse modo, Musiris pôde, pela primeira vez desde
que ficara encarcerado, interferir nos seus negócios e ordenar a compra de
novas mesas de snooker e conservar as máquinas caça-moedas.
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